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Otsuchi, na província de Iwate, quatro dias depois do tsunami de 11 de março de 2011.
Otsuchi, na província de Iwate, quatro dias depois do tsunami de 11 de março de 2011.Foto: U.S. Navy / Alexander Tidd · domínio público

Tsunami no Japão em 2011: o que aconteceu e quantos morreram

Seis minutos de tremor, ondas que subiram mais de 40 metros e um acidente nuclear: a história completa do maior desastre do Japão moderno, e da pedra que salvou uma vila inteira.

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Na sexta-feira, 11 de março de 2011, às 14h46 no horário do Japão, o chão do nordeste do país começou a tremer e só parou seis minutos depois. Enquanto as pessoas se seguravam nas mesas, um trecho do fundo do mar do tamanho de Santa Catarina dava um salto de vários metros a cerca de 70 quilômetros da costa. Toda a água que estava em cima subiu junto. O tsunami nasceu durante o tremor, e não depois dele.

Meia hora mais tarde, ondas mais altas que prédios passaram por cima de muralhas construídas justamente para contê-las. Em um ponto da costa, a água subiu mais de 40 metros morro acima; em outro, entrou 10 quilômetros terra adentro. Quase 16 mil pessoas morreram, mais de 2.500 nunca foram encontradas e, no dia seguinte, o mundo descobriu que a onda havia atingido em cheio a usina nuclear de Fukushima Daiichi.

Este dossiê reúne o que se sabe sobre o desastre, que os japoneses chamam de Grande Terremoto do Leste do Japão: por que ele aconteceu ali, por que o país mais preparado do mundo para terremotos foi surpreendido e por que os cientistas têm certeza de que algo parecido vai se repetir.

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O episódio completo do Almanaque Humano conta essa história minuto a minuto, com mapas, fotos reais e os relatos de quem estava lá.

Por que o Japão treme tanto

O arquipélago japonês fica sobre um dos encontros mais violentos da crosta terrestre: quatro placas tectônicas se tocam ali. Uma delas, a placa do Pacífico, avança em direção ao Japão cerca de 8 centímetros por ano, aproximadamente o dobro do que uma unha cresce no mesmo período. Parece pouco, mas quem se move é uma laje de rocha do tamanho de um oceano.

Ao chegar ao Japão, essa placa mergulha por baixo da placa que sustenta o norte do país, numa fenda submarina chamada fossa do Japão. O mergulho não é contínuo: as duas placas ficam travadas uma na outra por décadas, às vezes por séculos, acumulando tensão como uma régua de plástico que é entortada devagar até estalar.

As placas tectônicas ao redor do Japão. A do Pacífico mergulha sob o norte do país na fossa do Japão, em frente à região de Tohoku.
As placas tectônicas ao redor do Japão. A do Pacífico mergulha sob o norte do país na fossa do Japão, em frente à região de Tohoku.Mapa: Oghmoir, sobre imagem de satélite da NASA · CC BY-SA 3.0

De frente para essa fossa fica Tohoku, o nordeste do Japão, e nele a costa de Sanriku: um litoral recortado por baías estreitas que entram na terra como os dentes de um serrote. As baías protegem os barcos e são ótimas para a pesca, por isso as cidades cresceram no fundo delas. Mas o desenho tem um efeito perigoso: quando uma onda gigante entra numa baía que se estreita, a água não tem para onde se espalhar e sobe. A mesma onda que teria dois metros numa praia aberta pode ficar muitas vezes mais alta no fundo de uma dessas enseadas.

Os avisos que estavam na lama

O Japão tem uma das redes de GPS mais densas do planeta, com mais de 1.200 estações. Antes de 2011, elas já mostravam a costa de Tohoku sendo arrastada para oeste ano após ano: a tensão estava se acumulando. Os modelos oficiais, porém, apostavam em terremotos de magnitude 7 ou 8 rompendo trechos separados da falha. Quase ninguém trabalhava com a hipótese de a falha inteira romper de uma vez.

Alguns geólogos olhavam para outra prova. Nos arrozais da planície de Sendai, encontraram camadas de areia do mar enterradas a quilômetros da praia. Elas confirmavam um relato do ano 869: o tsunami de Jogan, registrado numa crônica oficial do Japão antigo, que matou cerca de mil pessoas e invadiu a planície muito além do que se imaginava. Havia camadas ainda mais antigas por baixo, sinal de que eventos desse porte voltam de tempos em tempos.

A costa de Sanriku também tinha cicatrizes recentes. Em 1896, um tsunami matou cerca de 22 mil pessoas; o tremor que o causou foi tão fraco em terra que muita gente nem se assustou. Em 1933, outro deixou mais de 3 mil mortos. Em 1960, uma onda criada por um terremoto no Chile atravessou o Pacífico e ainda matou cerca de 140 pessoas no Japão. Por isso a cidade de Taro ergueu um muro de 10 metros de altura e cerca de 2,4 quilômetros de extensão, apelidado de Grande Muralha.

E dois dias antes da tragédia, em 9 de março de 2011, um terremoto de magnitude 7,3 atingiu o mar em frente a Tohoku e gerou um tsunami de poucas dezenas de centímetros. Hoje se sabe que foi um tremor precursor.

14h46: o maior terremoto já medido no Japão

Às 14h46min18s, a cerca de 24 quilômetros de profundidade, a falha começou a se romper. A ruptura correu para o norte e para o sul até soltar um trecho de uns 500 por 200 quilômetros, mais do que a distância entre São Paulo e o Rio de Janeiro. Perto da fossa, o fundo do mar deslizou dezenas de metros para leste e subiu vários metros, depois de séculos parado.

A Agência Meteorológica do Japão (JMA) estimou primeiro a magnitude em 7,9. O número foi sendo revisto até chegar a 9,0, o maior terremoto já registrado no país e um dos cinco mais fortes medidos no planeta. A energia foi tamanha que a ilha principal, Honshu, se deslocou cerca de 2,4 metros para leste; trechos da costa afundaram até 1,2 metro, deixando o litoral ainda mais baixo para o que vinha; e, pelos cálculos da NASA, a redistribuição de massa encurtou o dia na Terra em 1,8 milionésimo de segundo.

Como um tsunami se forma e por que ninguém consegue correr dele

Num tsunami, não é só a superfície que se move: é a coluna de água inteira, do fundo até em cima. Em mar aberto, com mais de 4 mil metros de profundidade, essa energia viaja a mais de 700 km/h, a velocidade de um avião comercial, e um navio quase não percebe a passagem: a onda pode ter menos de um metro de altura e centenas de quilômetros de comprimento.

Simulação da NOAA com a energia do tsunami de 2011 se espalhando pelo Pacífico. As cores mais quentes indicam as ondas mais altas.
Simulação da NOAA com a energia do tsunami de 2011 se espalhando pelo Pacífico. As cores mais quentes indicam as ondas mais altas.Imagem: NOAA / West Coast & Alaska Tsunami Warning Center · domínio público

Perto da costa, o fundo fica raso, a frente da onda freia e a parte de trás a alcança. Toda a energia é espremida numa faixa de poucos metros, e a água sobe. Na praia, um tsunami não quebra e volta como uma onda comum: comporta-se como uma maré que não para de subir, arrastando carros, casas e barcos, que viram projéteis contra a parede seguinte. Mesmo desacelerada, entre 30 e 50 km/h, a água avança mais rápido do que qualquer pessoa corre, ainda mais um idoso subindo uma ladeira. Em muitas cidades de Tohoku, de um terço à metade dos moradores tinha mais de 65 anos.

O alerta que subestimou a onda

Às 14h49, três minutos após o início do tremor, a JMA emitiu o primeiro alerta de tsunami. O sistema funcionou rápido; o problema foi o conteúdo. Calculado com a primeira estimativa de magnitude, o aviso previa 6 metros para Miyagi e 3 metros para Iwate e Fukushima. Em cidades protegidas por muros de 5, 8 ou 10 metros, muita gente ouviu "três metros" e concluiu que estava segura. Alguns voltaram para casa para buscar documentos; outros foram ao porto olhar o mar. O terremoto já tinha derrubado a energia em boa parte da região: televisões apagadas, sirenes mudas. Às 15h14, a previsão subiu para 10 metros ou mais, mas muita gente nunca recebeu a atualização.

O prédio de prevenção de desastres de Minamisanriku em 2012. Daqui, a funcionária Miki Endo repetiu o alerta pelos alto-falantes da cidade até a água chegar.
O prédio de prevenção de desastres de Minamisanriku em 2012. Daqui, a funcionária Miki Endo repetiu o alerta pelos alto-falantes da cidade até a água chegar.Foto: Rsa · CC BY-SA 3.0

Em Minamisanriku, a funcionária da prefeitura Miki Endo, de 24 anos, pegou o microfone dos alto-falantes e repetiu sem parar: um tsunami enorme está chegando, subam para lugares altos. Continuou falando enquanto a água subia pelos andares do prédio. Das dezenas de pessoas que correram para o terraço, só cerca de dez sobreviveram, agarradas à antena. Miki Endo não estava entre elas; ela ia se casar naquele ano.

Na vizinha Kamaishi, alunos de uma escola de ensino fundamental não esperaram ordens: saíram correndo assim que o tremor acabou, puxando as crianças da escola ao lado. Chegaram ao ponto de abrigo combinado, acharam que não era alto o bastante e continuaram subindo. Minutos depois, a água cobriu o primeiro ponto. O episódio ficou conhecido como o "milagre de Kamaishi".

Até onde a água chegou

As primeiras ondas grandes atingiram Iwate e Miyagi por volta das 15h15. Na primeira hora, vieram ainda três réplicas acima de magnitude 7, cada uma delas o maior terremoto do ano em qualquer outro dia. Na planície de Sendai, sem morros para frear nada, o mar avançou cerca de 10 quilômetros terra adentro e, por volta das 16h, cobriu as pistas e o térreo do aeroporto.

O aeroporto de Sendai depois do tsunami. A água chegou às pistas por volta das 16h, mais de uma hora após o tremor.
O aeroporto de Sendai depois do tsunami. A água chegou às pistas por volta das 16h, mais de uma hora após o tremor.Foto: Ministério da Terra, Infraestrutura, Transportes e Turismo do Japão (MLIT) · CC BY 3.0 IGO

Em Miyako, os pesquisadores mediram a marca mais alta deixada pela água numa encosta: 40,5 metros acima do nível do mar, mais alto que o Cristo Redentor com o pedestal. Somados todos os trechos, o mar cobriu cerca de 561 km² do Japão, duas vezes e meia a área do Recife. A onda seguiu pelo Pacífico: chegou ao Havaí cerca de sete horas depois, matou um homem na Califórnia e fez blocos de gelo se soltarem de uma plataforma na Antártida.

Navios jogados em terra e virados num porto perto da base aérea de Matsushima, em Miyagi.
Navios jogados em terra e virados num porto perto da base aérea de Matsushima, em Miyagi.Foto: U.S. Navy / Ben Farone · domínio público

Fukushima: o desastre que nasceu numa prancheta

A usina de Fukushima Daiichi, a cerca de 180 quilômetros do epicentro, tinha seis reatores, três deles em operação naquela tarde. Com o tremor, os três se desligaram sozinhos, como previsto. Mas um reator desligado continua quente: o combustível gera calor por dias e precisa de água circulando o tempo todo, o que depende de eletricidade. As linhas de energia caíram, e os geradores a diesel de emergência assumiram.

A usina havia sido projetada para um tsunami de cerca de 5,7 metros. A onda que chegou perto das 15h30 tinha entre 13 e 15 metros. A água invadiu os subsolos, onde ficavam boa parte dos geradores e painéis elétricos. Sem energia, sem bombas e sem resfriamento, o combustível ficou exposto e começou a derreter. Explosões de hidrogênio destruíram os prédios dos reatores 1, 3 e 4 nos dias 12, 14 e 15. O acidente foi classificado no nível 7, o máximo da escala internacional, o mesmo de Chernobyl.

No meio da crise, o diretor da usina, Masao Yoshida, recebeu da sede da Tepco a ordem de suspender a injeção de água do mar no reator 1. Fingiu obedecer ao telefone e mandou os técnicos continuarem: a água salgada destruiria o reator para sempre, mas era a única disponível.

O contraste mais revelador está ao lado. A usina de Onagawa ficava mais perto do epicentro e resistiu. Décadas antes, o engenheiro Yanosuke Hirai insistiu para que ela fosse construída a quase 15 metros acima do mar, citando justamente os tsunamis antigos. Na noite de 11 de março, o ginásio da usina virou abrigo para cerca de 360 moradores.

Os números da tragédia

Pelo balanço consolidado da Agência Nacional de Polícia do Japão, foram 15.900 mortos e 2.520 desaparecidos. Mais de 90% morreram afogados, e mais da metade tinha mais de 65 anos. Em Rikuzentakata, quase 1.800 pessoas morreram ou desapareceram; do bosque de cerca de 70 mil pinheiros plantado séculos antes para proteger a costa, sobrou um único de pé, o "pinheiro milagroso".

O pinheiro milagroso de Rikuzentakata, preservado como memorial, ao lado das ruínas de um albergue atingido pelo tsunami.
O pinheiro milagroso de Rikuzentakata, preservado como memorial, ao lado das ruínas de um albergue atingido pelo tsunami.Foto: Morio · CC BY-SA 4.0

Na escola primária de Okawa, em Ishinomaki, os professores reuniram as crianças no pátio e passaram cerca de 50 minutos discutindo para onde ir, com um morro logo atrás. Quando finalmente saíram, foram em direção a um ponto perto da ponte do rio Kitakami, e o tsunami subiu pelo rio. Morreram 74 das 108 crianças e 10 professores. Em 2019, a Suprema Corte do Japão manteve a condenação da cidade e da província: a escola deveria ter se preparado melhor.

Salas de aula destruídas da escola primária de Okawa, hoje preservada em ruínas como memorial.
Salas de aula destruídas da escola primária de Okawa, hoje preservada em ruínas como memorial.Foto: Yasu · CC BY-SA 3.0

O mar, sustento da região, foi a primeira coisa que o mar levou: cerca de 29 mil barcos de pesca foram danificados ou perdidos e mais de 300 portos foram atingidos. O Japão mobilizou mais de 100 mil militares; os Estados Unidos enviaram mais de 20 mil na Operação Tomodachi ("amigo", em japonês). Com crematórios destruídos ou sem combustível, cidades de Miyagi fizeram algo que quebrava séculos de tradição: enterros temporários em valas, com a promessa, depois cumprida, de exumar e cremar os corpos.

Na primeira noite, nevou. No pico, mais de 400 mil pessoas estavam em abrigos improvisados. Além dos mortos pela água, o Japão reconheceu mais de 3.800 mortes relacionadas ao desastre, por doenças agravadas, frio, estresse e pela vida longe de casa, mais da metade em Fukushima. Oficialmente, houve uma morte atribuída diretamente à radiação, reconhecida em 2018. A fuga matou muito mais do que a radiação.

O Banco Mundial estimou o prejuízo em até US$ 235 bilhões, o desastre natural mais caro já registrado. No Brasil, a tragédia teve peso especial: em 2011 mais de 200 mil brasileiros viviam no Japão, e milhares de famílias passaram dias sem notícias.

Dava para prever?

Olhando para trás, os sinais estavam lá: a areia de Jogan, os estudos que alertavam para algo parecido, o tremor precursor. O problema foi a régua usada para planejar. A maioria das defesas foi desenhada a partir dos tsunamis dos últimos 100 ou 200 anos, os que tinham bons registros, enquanto os maiores eventos da fossa do Japão voltam a cada vários séculos. Em Taro, a Grande Muralha de 10 metros foi coberta por uma onda muito mais alta, e perto de 200 pessoas morreram ou desapareceram, muitas talvez confiando no muro.

O Japão não era um país despreparado. Todos os trens-bala da região pararam a tempo, sem nenhum passageiro morto, e a maioria dos prédios aguentou seis minutos de um tremor de magnitude 9. O que falhou foi a imaginação: o país tinha se preparado para o pior que conhecia, e o pior que veio era maior.

O que mudou e o que ainda preocupa

Quinze anos depois, a costa tem centenas de quilômetros de muros novos, alguns com mais de 14 metros, e bairros inteiros reconstruídos sobre aterros e morros. Em Fukushima, o desmonte da usina ainda deve levar décadas: em novembro de 2024, um braço robótico conseguiu retirar a primeira amostra do combustível derretido, menos de um grama.

E o risco continua. Mais ao sul fica a fossa de Nankai, que produziu grandes terremotos em 1944 e 1946 e para a qual o governo japonês trabalha com uma probabilidade alta de um megaterremoto nas próximas décadas. Em agosto de 2024, o país emitiu pela primeira vez um aviso especial de risco de megaterremoto em Nankai. Em 20 de abril de 2026, um terremoto de magnitude 7,7 voltou a sacudir a costa de Sanriku, com alerta de ondas de até 3 metros.

A pedra de Aneyoshi

Uma das marcas mais altas de todo o Japão, 38,9 metros, foi medida em Aneyoshi, uma vila de onze casas no fundo de uma baía de Miyako. Num morro acima da vila há uma pedra colocada pelos moradores depois dos tsunamis de 1896 e 1933. A inscrição diz, em palavras simples: lembrem-se da calamidade dos grandes tsunamis; não construam casas abaixo deste ponto.

Uma das pedras memoriais de tsunami do Japão. Centenas delas marcam, ao longo da costa, até onde a água já chegou.
Uma das pedras memoriais de tsunami do Japão. Centenas delas marcam, ao longo da costa, até onde a água já chegou.Foto: T.KISHIMOTO · CC BY-SA 4.0

Os moradores obedeceram por quase oitenta anos. Em 11 de março de 2011, a onda subiu o morro e parou cerca de 90 metros abaixo da pedra. Nenhuma casa da vila foi atingida. Um muro de 10 metros não segurou Taro; uma frase gravada por quem já tinha visto o mar subir salvou Aneyoshi.

Linha do tempo

869
Tsunami de Jogan invade a planície de Sendai; cerca de mil mortos. Sua areia ficou enterrada nos arrozais.
1896 e 1933
Dois tsunamis devastam a costa de Sanriku (cerca de 22 mil e mais de 3 mil mortos). Pedras memoriais são erguidas.
9/3/2011
Tremor precursor de magnitude 7,3 em frente a Tohoku gera um tsunami de poucos centímetros.
11/3, 14:46
A falha se rompe a ~24 km de profundidade; o tremor dura cerca de seis minutos.
14:49
Primeiro alerta da JMA: 6 m para Miyagi, 3 m para Iwate e Fukushima.
15:14
Alerta atualizado para 10 m ou mais; muita gente já não recebe o aviso.
~15:15
Primeiras ondas grandes atingem as cidades de Iwate e Miyagi.
~15:30
Onda de 13 a 15 m invade a usina de Fukushima Daiichi; a usina fica sem energia.
~16:00
A água chega ao aeroporto de Sendai, a cerca de 10 km do mar em alguns pontos da planície.
12, 14 e 15/3
Explosões de hidrogênio nos prédios dos reatores 1, 3 e 4 de Fukushima.
2019
Suprema Corte mantém a condenação no caso da escola de Okawa.
11/2024
Robô retira a primeira amostra de combustível derretido de Fukushima (menos de 1 grama).

Fatos pouco conhecidos

  • O tremor encurtou o dia na Terra em cerca de 1,8 milionésimo de segundo, segundo cálculos da NASA.
  • A ilha de Honshu se deslocou cerca de 2,4 metros para leste, e partes da costa afundaram até 1,2 metro.
  • Nenhum passageiro de trem-bala morreu: todos os trens da região frearam automaticamente.
  • Um ano depois, uma doca inteira de concreto do Japão apareceu numa praia do Oregon, nos EUA.
  • Em Onagawa, um homem tirou licença de mergulhador aos 56 anos para continuar procurando a esposa no fundo do mar.
  • O governo tinha simulações de para onde a radiação estava indo (sistema SPEEDI) e não as divulgou a tempo.

Referências e fontes

  1. Agência Meteorológica do Japão (JMA): dados do terremoto e dos alertas de tsunami de 11/03/2011.
  2. Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS): M9.1 Great Tohoku Earthquake, Japan.
  3. Instituto de Informação Geoespacial do Japão (GSI): deslocamento da costa e área inundada.
  4. NASA/JPL (Richard Gross): efeito do terremoto na rotação da Terra.
  5. Minoura, K. et al. (2001): The 869 Jogan tsunami deposit and recurrence interval, Journal of Natural Disaster Science.
  6. Tohoku Earthquake Tsunami Joint Survey Group: alturas máximas medidas.
  7. Relatório da Comissão Independente da Dieta Nacional sobre Fukushima (2012) e relatórios da AIEA.
  8. Agência Nacional de Polícia do Japão: balanço de mortos e desaparecidos.
  9. Agência de Reconstrução do Japão: mortes relacionadas ao desastre.
  10. Banco Mundial (2011): estimativa de perdas econômicas.
  11. Fackler, M. (2011), The New York Times: Tsunami Warnings, Written in Stone.

Perguntas frequentes

Qual foi a magnitude do terremoto de 2011 no Japão?

Magnitude 9,0 pela Agência Meteorológica do Japão (o USGS registra 9,1). Foi o maior terremoto já medido no Japão e um dos cinco maiores do mundo desde o início dos registros.

Qual foi a altura máxima das ondas do tsunami?

A maior marca medida foi de 40,5 metros acima do nível do mar, em Miyako. Em Aneyoshi, também em Miyako, a água chegou a 38,9 metros.

Quantas pessoas morreram no tsunami de 2011?

Segundo a polícia japonesa, 15.900 mortos e 2.520 desaparecidos. O Japão reconhece ainda mais de 3.800 mortes relacionadas ao desastre nos meses e anos seguintes.

Quanto tempo o tsunami levou para chegar à costa?

As primeiras ondas grandes chegaram cerca de 30 minutos depois do início do tremor. Na planície de Sendai, a água atingiu o aeroporto por volta das 16h, mais de uma hora depois.

Por que o tsunami causou o acidente de Fukushima?

A usina foi projetada para ondas de cerca de 5,7 metros, mas recebeu ondas de 13 a 15 metros. A água inundou os geradores de emergência, o resfriamento parou e o combustível de três reatores derreteu.

Pode acontecer outro tsunami assim no Japão?

Sim. A fossa do Japão voltou a acumular tensão, e a fossa de Nankai, mais ao sul, é considerada de alto risco para um megaterremoto nas próximas décadas.

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